Intervir precocemente
Significa agir com a família para prevenir ou minimizar problemas no desenvolvimento da criança.
Implica estar atento aos múltiplos factores que podem causar alterações no desenvolvimento e aos apelos e dúvidas colocados pelos pais.
Enquadramento O Serviço de Intervenção Precoce de Fafe é uma estrutura permanente, que resultou de um projecto promovido pela CERCIFAF, em parceria com o Centro Regional de Segurança Social, a ARS - Centro de Saúde de Fafe e a DREN.
A necessidade de intervir precocemente em famílias com crianças que apresentam problemas de desenvolvimento no concelho de Fafe esteve na base da sua constituição. O S.I.P. desenvolve acções de natureza preventiva, educativa e terapêutica na área da Intervenção Precoce tendo como referência as perspectivas, ecológica do desenvolvimento e familiar sistémica.
Actualmente, faz o seguimento de 60 famílias de crianças, com idades entre os 0 e os 5 anos, que apresentam atraso do desenvolvimento, alterações neuropsicológicas, risco ambiental ou deficiência. É dado um enfoque especial ao envolvimento activo das famílias, procurando capacita-las e incentivando a sua autonomia. É um serviço gratuito, de carácter predominantemente domiciliário.
A CERCIFAF é a entidade coordenadora deste serviço e a sua sede localiza-se no Centro de Saúde de Fafe, onde existe uma sala de atendimento, avaliação e para intervenções técnicas mais específicas. A equipa técnica do Serviço de Intervenção Precoce é constituída por profissionais com formação de base nas áreas da psicologia, educação, terapia da fala, terapia ocupacional e fisioterapia, com formação específica, experiência e motivação para o trabalho em intervenção precoce. Objectivos- Estimular o potencial de desenvolvimento de cada criança, intervindo o mais precocemente possível;
- Promover a participação activa da família, fundamental para que a intervenção precoce seja eficaz;
- Envolver os recursos da comunidade e acompanhar as famílias com vista à sua autonomia.
As crianças com problemas de desenvolvimento não interagem de uma forma activa com o meio que as rodeia e, por isso, necessitam de ajuda para adquirirem experiências sensoriais e sociais fundamentais para o seu processo de maturação cerebral. Desta forma torna-se necessário intervir proporcionando-lhes a estimulação e a interacção que de outra forma não teriam, aproveitando os estádios mais propícios ao seu desenvolvimento.
Para que este objectivo se concretize é fundamental o trabalho em equipa e a existência de profissionais capazes de partilhar conhecimentos e experiências entre si e com os pais das crianças. Aliás, são os pais que assumem um papel central em todo o processo de intervenção. São eles quem melhor conhece a criança e, salvo raras excepções, é com eles que a criança estabelece laços afectivos e passa mais tempo. É também necessário perceber que o nascimento de uma criança com problemas provoca alterações significativas em qualquer sistema familiar. É importante que os técnicos de intervenção precoce estejam preparados para ajudar os pais a restabelecer o equilíbrio emocional e funcional da família no sentido de a tornar mais autónoma.
Os recursos que a comunidade têm ao dispor, por desconhecimento ou falta de divulgação, nem sempre são acessíveis aos pais das crianças apoiadas. Face a isto cabe também aos técnicos de intervenção precoce acompanhar, numa primeira fase, as famílias a consultas médicas, estabelecer contactos com serviços de apoio social e, gradualmente, envolver os pais para que se tornem autónomos e assumam a iniciativa na procura de recursos.
Actividades A sinalização das crianças acompanhadas pelo Serviço de Intervenção Precoce é, na maioria dos casos, feita por serviços médicos e sociais locais e regionais, tais como a Pediatria e Neonatologia do Hospital de Guimarães, o Centro de Paralisia Cerebral, mas também de Hospitais Centrais como o S. João e o Maria Pia, no Porto.
Após a sinalização os pais são contactados e no prazo de uma semana é marcada uma reunião de avaliação. Este primeiro contacto com família é estabelecido através da psicóloga do serviço que, para além de recolher informação relacionada com o desenvolvimento e características da criança, avalia as expectativas dos pais relativamente ao acompanhamento que o SIP lhes poderá disponibilizar, e identifica quais são, para eles, as principais preocupações relativamente à criança. No mesmo dia, na reunião semanal dos técnicos do Serviço de Intervenção Precoce, o caso é apresentado e discutido em equipa e, considerando as características da criança e da família, é proposto um técnico responsável de caso que, em articulação com os restantes elementos da Equipa, é o principal interlocutor junto de cada família. Os primeiros encontros entre técnico e família são, fundamentalmente, para conhecer melhor a situação e preparar o Plano de Intervenção Precoce.
A metodologia de implementação desse plano pode variar bastante: o técnico pode ter um papel mais ou menos directo na intervenção com a criança, pode ter de envolver toda a família alargada, pode ter características terapêuticas muito específicas com a criança, enfim, pode dizer-se que não há duas famílias com o mesmo tipo de plano de intervenção, no entanto existe sempre um aspecto em comum: a relação de confiança que é estabelecida entre a família e o técnico responsável. A confiança parece ser este o factor mais importante para que a intervenção com a criança e família seja eficaz.
O papel das TIC em Intervenção Precoce A implementação do plano individualizado de Intervenção Precoce tem diversas facetas. Para além do trabalho desenvolvido com as famílias, não é esquecida a intervenção directa com as crianças, sobretudo quando se tratam de situações de risco estabelecido, ou seja, quando a criança apresenta um quadro clínico associado a atraso do desenvolvimento ou cujo prognóstico aponta para futuros défices cognitivos.
Com o objectivo de contrariar prognósticos pessimistas e de promover o potencial de desenvolvimento de cada criança são postas em prática acções educativas e terapêuticas específicas. Podem passar pela utilização funcional de equipamento educativo em que o profissional de intervenção precoce tem o papel de mediador entre a criança e os materiais que ela manipula e os acontecimentos que ela própria desencadeia, promovendo interacções que não aconteceriam de forma espontânea.
Neste contexto, o Serviço de Intervenção Precoce de Fafe atribui às T.I.C. uma importância muito grande. A sala de avaliação e intervenção do SIP, no Centro de saúde de Fafe, está equipada com um computador multimédia com um monitor de ecrã táctil. Num trabalho de colaboração entre o Centro de Competência da CERCIFAF e o SIP foram desenvolvidas aplicações multimédia concebidas a pensar nas crianças que as utilizam. A facilidade proporcionada pelo ecrã táctil permite a interactividade, permitindo que a criança perceba que as suas acções têm consequências. Para o educador é possível, numa atitude de mediação, introduzir conceitos básicos que, sem esta ferramenta educativa, seria difícil apresentar a estas crianças. Estas aplicações têm tido uma adesão e resultados muito positivos, mesmo junto daquelas com maiores dificuldades de comunicação.
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